sábado, 31 de agosto de 2019

O RESGATE…, SEGUNDO SÃO DOMINGOS E... SÃO GERALDO


O RESGATE…, SEGUNDO SÃO DOMINGOS E... SÃO GERALDO

Naqueles tempos, São Domingos vivia uma situação dificil. Tinha sido afastado compulsivamente do poder por São José por má conduta na gestão da coisa pública. Recaia sobre o devotado Santo, graves acusações de desvios do erário público e peculato no exercicio de funções públicas, assim como de enriquecimento ilícito. São Domingos, sentiu-se completamente abalado e frustado por ver os seus planos e intentos de se tornar rapidamente rico e poderoso, serem abruptamente contrariados por uma decisão com a qual não contava. Com tal não contava, porque São Domingos, julgava-se intocável e inamovível, fiando-se na falsa áurea do seu auto-endeusamento político. São José, foi implacável e intransigente, pois sabia perfeitamente que deixando São Domingos prosseguir com a sua saga arrebatadora e sofregante de se enriquecer apressada e desesperadamente, não lhe sobrariam margens nem migalhas, para ele mesmo, também se servir, como era sua pretensão.

Não se conformando, São Domingos “fingi, aceita retirar-se” e delega estratégicamente em São Carlos, o decano, para em seu nome e sob seu contrôlo remoto, dar-se seguimento aos seus planos de se enriquecer rápidamente a qualquer custo ou preço. São Carlos porém, contrariamente ao engendrado, não teria a sua missão facilitada por ferrenha oposição de São José e seus Apóstolos, pelo que, não lograria voltar a ter mãos sobre o cobiçado maná público, fonte de riqueza, fortemente disputado entre as “duas Santidades”.

Vendo-se contrariado nos seus intentos e com pouco tempo para executar os seus planos, São Domingos, chama São Geraldo, o seu mais fiél e eficiente Apóstolo e confia-lhe a dificil missão de, na perda eminente do fontenário público, realizar o “milagre” de arrecadar por qualquer meios, o maior espólio de riqueza possível, para com ele, constituirem o arsenal de guerra para poderem enfrentar os difíceis tempos com a qual seriam confrontados, por força das perseguições de que seriam alvo da parte de São João e seus Apóstolos (estes, que antes São Domingos, escorraçara e velinpendiara da sua grande casa, de forma humilhante...). São Geraldo, Apóstolo devoto e cumpridor, tinha que executar essa dificílima missão, que tinha tanto de urgente, como de arriscada, porquanto exigia inteligência e mestria cirúrgica na sua execução e, acima de tudo, não devia deixar pistas e sair-se com o colarinho branco e bem imaculado.

São Geraldo, antigo subdito experimentado de Ali Babá na sua encarnação pecadora dos tempos da Firkidja, que o tornou foragido nos Wolof Ndiaye por longos anos, não teve dificuldades em encontrar, o engenho e a arte para fazer à vontade de São Domingos e encontrar uma forma “límpida e imaculada” de constituirem o tão almejado arsenal financeiro que os permitiriam precaverem-se dos tempos da cólera que os esperavam.

Veio à luz ao espírito de São Geraldo e, célere como nos bons tempos de larápio experimentado pela Firkidja, corre a recuperar a velha “escritura” do Resgate do BAÚ (BAO entenda-se) para servir de alíbi e fachada à grande golpada de despedida do poder.

Os tempos foram passando... e, muitos e “milhares” de anos e,

E..., chega-se aos novos tempos..., nova era dos tempos, onde os “Santos” já não são Santos, pois perderam esse “estatuto”, passando a meros mortais e como tais, passarão a ser chamados pelos seus próprios nomes : Domingos Simões Pereira (DSP) e Geraldo Martins (GM), acrescentando-lhes os respectivos apelidos  que merecem :  LADRÕES DO POVO.

A “escritura” do BAÚ, aliás, nos novos tempos, o “Resgate do BAO”, é um velho dossier que, inicialmente contou com a assistência técnica do BCEAO e fora concebido com o propósito e finalidade defensável de interesse nacional, que visava fundamentalmente permitir, meios de recuperação económica e consequente ressarcimento dos prejuízos sofridos pelos operadores económicos nacionais, devido a interrupção da campanha de comercializacão da castanha de cajú de 2012, por força do golpe de estado de abril do mesmo ano, acontecimento que os colocou em situação de completa descapitalização e quase insolvência.

Contudo, contrariamente ao inicialmente programado e tendo em mente uma agenda mafiosa que visava acaparar-se no mais curto espaço de tempo que então lhes restava no Governo, do maior montante possível de fundos públicos, DSP e GM, alteraram por completo todo o mecanismo concebido para a realização do resgate, dando-lhe o fim, a realização de um golpe de filigrama que lhes permitiu locupletarem-se mafiosamente de bilhões de francos CFA, às custas do Estado da Guiné-Bissau.

Essa acção criminosa, foi minuciosamente montada sob orientação directa e instruções expressas de DSP e fielmente executada por GM, e cuja operação permitiu-lhes conseguirem um enorme encaixe financeiro, com o qual subsistiram folgadamente nos tempos das “vacas magras”, que se seguiram à perda do controlo da roubalheira que faziam do erário público. Na posse dessa avultada soma (entre outras, descaradamente e criminosamente desviadas nas vésperas da queda do “governo” de Carlos Correia), pode assim, DSP manter a opulência dos seus vicios e do seu grupo de ladroagem, adquirindo bens imóveis no país e no estrangeiro, variadissimos terrenos nobres no centro de Bissau, dotar-se a sí e à familia de uma imponente frota de viaturas de luxo, assim como possuir poder económico considerável, para alimentar a dispendioso máquina de resistência e propaganda política tentacularmente instalada, com que levou o seu combate travado nesses tempos duros da oposição e com propósitos de reconquista do poder

Esse golpe, teve dois protagonistas principais, os dois maiores escroques políticos da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira e Geraldo João Martins e, contou igualmente, com um actor secundário muito conhecido nos meios da escroqueria jurídica, o Dr Carlos Pinto Pereira, vulgo “Caias”, o advogado das causas perdidas e das aldrabices ganhas. O montande desviado com a “capa” do Resgate, foi de 3,9 bilhões de Francos CFA (isto é, seis (06) milhões de Euros), dando-se assim corpo, ao maior golpe de colarinho branco que a nossa história governativa conheceu até a presente data..., um golpe de mestre, um “resgate” de sonho para o bolso e as finanças, do grande Rato Esquema, DSP e o seu bando.

Mas como conseguiu esse famoso trio de escroques alcançar tal feito ?

Inicialmente, o resgate previa uma “carteira limpa” devida e criteriosamente seleccionada de aproximadamente de 19 bilhões de francos CFA, que englobava o conjunto dos operadores económicos lesados pela interrupção da campanha de comercialização da castanha de cajú interrompida pelo golpe militar de 12 de abril. Porém, para obterem maior margens de ganhos com o esquema de desvio maquiávelicamente montado é que aos valores iniciais retidos da carteira a resgatar, foram incorporados mais 20 bilhões de francos CFA (integrando as dívidas de montante mais avultadas e com maior risco de recuperação dos devedores do BAO), fazendo empolar o montande global da carteira a resgatar para os 39 bilhões de francos CFA, os quais seriam assumidos pelo Estado e que este por sua vez, o confiaria ao advogado Pinto Pereira para os “cobrar” junto aos devedores, num prazo de dez (10) anos.

Depois de inflacionarem propositadamente o montante da carteira do crédito a ser resgatado para valores astronómicos, DSP e GM passaram para a fase seguinte, que era de encontrar, o melhor e mais desimulado meio, que os permitissem sacar, o mais rapidamente possível os elevados montantes à partir dessa operação financeira do endosso ao Estado da carteira de devedres do BAO. Foi assim que, de conluiu com o advogado escroque, Dr Pinto Pereira, engendraram e utilizaram o esquema da percentagem dos honorários advogatícios a cobrar sobre o montante da dívida à resgatar, para assim através de um golpe subrepticio, puderem locupletra-se de uma importante verba de quase quatro (04) bilhões de francos CFA.

Mas porquê, aumentar assim drasticamente esses valores no conjunto do montnte do resgate ?

Simples..., pois quanto mais elevado fosse o montante da carteira a “recuperar” confiada ao advogado, maior seria a grandeza do enriquecimento ilícito a conseguir, pois ao Pinto Pereira, advogado dos esquemas obscuros, foi convencionado honorários correspondentes à 10% do valor da causa (da carteira a resgatar), ou seja quase quatro (04) bilhões de francos CFA !!! Uma enormidade de dinheiro, pois em situações normais, tais honorários não podiam ultrapassar 1,5% do valor da causa, de acordo com a aplicação da tabela dos honorários advogatícios em vigôr.

O mais caricato e suspeito nesse jogo mafioso é que, para uma carteira que devia ser recuperada em dez (10) anos !!!!! ?????..., ao felizardo advogado (que ao que se sabe, nem chegou a redigir o famoso contrato de cedência da carteira, da autoria de Dr Diogo de Lacerda PCA do BAO), foi-lhe pago de imediato, os tais (quase), quatro (04) bilhões de francos CFA. De imediato e sem mover uma palha..., que generosidade meu Deus !!!!

Pergunta-se ! mas porquê, pagar logo à cabeça todo esse montante se a recuperação deveria ocorrer em dez (10) anos ? Se vier a não recuperar ? Porquê não lhe pagar paulatinamente à medida que ia recuperando a dívida junto aos devedores ?

Tudo muito simples caros concidadãos..., o honorário faraônico atribuido ao grande “Caias”, era uma simples fachada para DSP e GM sacarem dinheiro à pressa ao Estado e também era a única forma de o terem rapidamente nas suas posses. Esse montante, deveria ser pago de imediato, para logo depois se proceder ao esquema da distribuição do espólio do golpe.
Portanto, o advogado Pinto Pereira com a sua famosa percentagem de 10% do valor da carteira, não passou de uma “barriga de aluguer” para branquear o trânsito de avultadas somas para as mãos e controlo de DSP e GM. Aliás, o advogado quando ouvido pelo Ministério Público (MP), admitiu o crime e, sem rodeios confessou que, desse montante, só tinha recebido trezentos e noventa milhões (390.000.000) de francos CFA e, sobre cujo rendimento, foi inclusivamente obrigado a pagar os respectivos impostos. Porém, lamenta-se que, ora por inércia, ora por falta de rigôr e competência, o MP, apesar dessa confissão e demais provas recolhidas à partir da sua audição, não diligenciaram e deram o devido seguimento a esse dossier que, poderia naturalmente conduzir DSP e GM às contas com a justiça e consequentemente à prisão.

Apetece então perguntar ! E o resto do dinheiro ? Qual foi o seu paradeiro ?

É fácil descobrir o paradeiro e os beneficiários... Basta seguir a traçabilidade dos cheques ao portador emitidos pelo Dr dos Esquemas, o causídio da escroqueria, Pinto Pereira. Na realidade, acto continuo ao depósito na sua conta no BAO desse avultado montante, o Dr Barriga de Aluguer, emitiu mais de uma dezena de cheques ao portador à favor de pessoas que, paradoxalmente, tinham todos em comum uma ligação forte e intrínseca com a figura central de DSP. Todas essas pessoas, são umbicalmente ou fortemente ligadas a DSP (eram, a esposa, filho, irmão, amantes, concubinas, comadres, amigas “intimas”, amigos, jornalistas e bloguer’s seus conhecidos “bocas de aluguer” e repoteres privativos, etc...), e foram identificados como benefiários dessa golpada, quer na qualidade de beneficiários directos do golpe, ou como meros barrigas de aluguer, para em última instância, fazerem transitar o dinheiro, acabando em última instância nas suas mãos, como o principal beneficiário do maior e mais famoso golpe de colarinho branco da nossa história.

Pelas nossas investigações e documentos de que dispomos, a traçabilidade das operações permite-nos assegurar com plena certeza de que, DSP pessoal e directamente, beneficiou dessa operação do montante líquido de 2,9 bilhões (2.900.000.000) de francos CFA, com as quais adquiriu (pagando cash), um apartamento de alto standing com vista para o mar no Parque das Nações em Lisboa-Portugal no valor de 600.000 Euros, uma vivenda duplex nos Almadies em Dakar, através da intermediação do “Tchitchi” Nancassa, no valor de mais de 500 milhões de francos CFA, um terreno nobre no centro de Bissau de 1800m² junto ao Estádio Lino Correia, no valor de 290 milhões de francos CFA pagos ao BAO, a compra de seis camiões de 20 tons de recolha de lixo, para reforçar a frota de veículo do filho envolvido no contrato de vazamento de lixo com a CMB, a compra e legalização de dezenas de vastos lotes de terreno estratégicamente localizados, onde pretende executar futuramente projectos imobiliários e outros investimentos.

Esta é a verdadeira história por trás do Resgate do BAO, contrariamente ao inventado e mentido por DSP e GM, autores de um projecto de puro golpe de colarinho branco de fim de regime. Esse enorme golpe, foi urdido, planeado e coordenado por DSP e executado por GM e tinha como propósito e teve o objectivo plenamente alcançado que, foi dar um golpe mafioso para se enriquecerem individamente com o erário público no montante de quase quatro bilhões de francos CFA  (mais de seis (06) milhões de Euros).

Hoje causa-nos revolta a propagaçõ d, projecto de mentira e manipulação que DSP e os seus acólitos destilam na sociedade, por isso decidimos denunciá-lo e combaté-lo e ao seu grupo com todos os meios ao nosso alcance. Este é o começo de muitas denúncias que se seguirão, sobre a sua falsa e mentirosa figura.

Bem hajam,

Autores identificados C.P.L. e G.T.D.        















sexta-feira, 30 de agosto de 2019

ECOMIG ou É-KU-MI ?


ECOMIG ou É-KU-MI ?

Uma pergunta de um cidadão para o Representante Especial da CEDEAO na Guiné-Bissau, Sr Blaise DIPLO e para o Presidente da Comissão da CEDEAO, Sr Kassi BROU.

Porque razão e sob quais condições e critérios é que o presidente do PAIGG, Domingos Simões Pereira, vulgo DSP, continua a beneficiar de uma escolta armada da ECOMIG ?

Sob qual estatuto ou critérios é atribuido ao DSP  essa escolta da ECOMIG ?

Ao que sabe, as escoltas da ECOMIG, prevêm-se serem dispensadas no quadro da protecção das Instituições da República e respectivas individualidades nomeadamente, o Presidente e a Presidência da República, o Presidente da ANP e as instalações do Hemiciclo e ao Primeiro Ministro em exercicio, as instalações da da Primatura, a sede do Governo e a sua residência.

Pergunta-se em que quadro entra a protecção armada e todo o aparato que acompanha o DSP em tudo o que é sitio, como se trata-se de uma personalidade especial que mereça de uma atenção e protecção  especial.

Não se compreende e não se justifica a manutenção deste status quo à favor do lider do PAIGC e, caso contrário, que a MEDIDA SEJA IMEDIATAMENTE EXTENSIVA A TODOS OS LIDERES PARTIDÁRIOS COM ASSENTO PARLAMENTAR E TAMBÉM AOS CANDIDATOS PRESIDENCIAIS JA DECLARADOS

Se a medida acima não fôr extensiva às personalidades acima indicadas,estaremos perante um tratamento diferenciado e priviligiado à favor de Domingos Simões Pereira que, com a sua assumida candidatura a presidência da República, podera surgir aos olhos dos cidadãos guineenses, como o CANDIDATO PRESIDENCIAL DA CEDEAO, factor que queiramos ou não, pode influenciar determinantemente a escolha dos eleitores que, consideram a CEDEAO como um factor de estabilidade e garante de apoios regionais ao país.

Assim uma posição de imparcialidade de posicionamento em toda a linha, requer-se da CEDEAO o mais rapidamente possível, sob pena de estarem a caucionar a primazia de um candidato sobre os demais.

Mansôa, 28 de agosto de 2019

Cabral Na Tchundé

PS : Se há uma figura que a CEDEAO devia proteger, é a personalidade que, mercê da cumplicidade e jogo sujos de poder regional, impediram de ser Presidente da República em 2012 e cuja tentativa de assassinato foi por ela caucionada de forma implicita. Acontece que essa figura está actualmente em Bissau e circula livremente, com a protecção Divina e a disponibilidade de valentes patriotas.


quinta-feira, 29 de agosto de 2019

DSP... ? PÉCÉDISTA OU PÉGÉCISTA ?


DSP... ?  PÉCÉDISTA OU PÉGÉCISTA ?

Domingos Simões Pereira, vulgo DSP na versão francófona dos grandes populistas africanos, ADO, IBK e outros..., deve constituir um caso de estudo na politica guineense, se se considerar, o percurso anormal e péculiar que marcou a sua emergência e ascendência fulgurante no cenário politico nacional. Na realidade, DSP teve um percurso político, é certo, de rápida ascendência, mas também, marcada por zonas cinzentas e de interrogações.

Na realidade, DSP era conhecido como um pontificado militante do Partido da Convergência Democrática (PCD), partido satélite e uma charneira política criada por Nino Vieira nas vésperas da abertura democrática com o fito de criar uma fachada de oposição política, para só mais tarde, vir a consumar a sua transumância politica para o PAIGC, partido onde conseguiu num curto espaço de tempo tornar-se presidente, convertendo-se radicalmente à causa dos Libertadores, onde hoje exerce, uma liderança ditatorial e absolutista.

A sua transumância para o partido dos Libertadores, formação politica pelo qual não tinha e não se lhe conheciam quaisquer simpatias ou ligações no passado, teve no entanto, um dado de aliciamento muito importante. DSP, fê-lo apenas na condição de aceder ao elenco governativo do primeiro Governo chefiado por Carlos Gomes Júnior, ficando assim como pormenor e registo, que a adesão de DSP aos Libertadores, foi movido por interesses primordialmente de promoção pessoal e de ascensão social e não, por convicções ideológicas ou de militância politica desinteressada.

O inusitado em tudo isso é que, anteriormente Domingos Simões Pereira nunca teve uma relação de simpatia e tão pouco de militância assumida com o partido dos Libertadores, conhecendo-se-lhe pelo contrário, nos tempos da sua militância “pécédista” ter uma assumida hostilidade ao partido dos Libertadores que, segundo a voz populis tal aversão, está relacionada com as suspeitas que a familia Simões Pereira, sempre manifestou relativamente à morte trágica do irmão Bartolomeu num acidente de viação, cujos contornos, deram à seu tempo muito que falar, e com a qual, os familiares nunca se conformaram até hoje.

Na realidade, Domingos Simões Pereira, sem se ter iniciado  sua carreira política como militante de convicções e de primeira hora do partido de Cabral, conseguiu chegar a liderança dos pégécistas por obra do acaso, sem sobressaltos e nem oponentes de peso, graças ao vazio provocado pelo exílio forçado da liderança de então do partido. Consciente dessa oportunidade única, DSP soube aproveitar-se estratégicamente desse vazio facilitador, para no momento certo, se acaparar facilmente do partido sem grandes oposições. Para consumar essa estratégia de apoderamento da liderança orfã dos Libertadores, DSP soube oportunisticamente aproveitar-se do apoio empenhado da cúpula exílada no Congresso de Cacheu, particularmente do ex-lider que lhe dispensou apoios e deu indicações de votos, porquanto via na sua pessoa, um lider moderno e capaz e que podia restruturar e reunificar o partido depois do rude golpe sofrido em abril de 2012.

No entanto, sabe-se porém, que mal instalado na liderança do partido DSP, descartou-se literalmente dos dirigentes em exílio, tendo até para com ex-lider do partido, um comportamento de deselegância pública, para além de que, internamente ia movendo activamente os cordelhinhos da intriga e da instigação junto à classe castrense, com o intuíto de os instrumentalizar no sentido de estes obstacularizarem quaisquer intenções de regresso dos exilados, em particular do antigo presidente do partido e ex-chefe de Governo, Carlos Gomes Júnior, com o manifesto receio, que a presença deste poderia vir a ensombrar a sua liderança à frente dos Libertadores.

Feito herdeiro, sem se dar conta, de um grande partido nacional nas circunstâncias que se retratam, as acções e condutas de DSP na liderança dos Libertadores até a presente data, têm deixado muito a desejar, quer como lider ganhador na senda do seu antecessor, quer como exemplo que se pretendia para a liderança de um partido fortemente abalado nas suas estruturas dirigentes, isto é, um lider aglutinador e promotor da paz interna e coesão de todos os seus dirigentes. Entre as acções e estratégias questionáveis de DSP, ressaltam os seguintes dados  factos que marcaram negativamente a sua conturbada liderança.

Primeiro dado negativo: com a liderança de DSP, os simbolos fortes do partido passaram a girar à volta da sua omnipresente figura assente numa enorme campanha promocional interna tendente à personificação do partido em torno da sua única e exclusiva identidade, chegando a roçar tal prática, um verdadeiro culto de personalidade. Como presidente do partido, tudo passou a pontificar-se pelo seu nome e personagem, omitindo-se deliberadamente todas as outras realizações, obras, acções e resultados marcantes conseguidos pelos seus antecessores, como se esses nunca tivessem existido ou liderado o partido. Aliás, mais atitudes tendentes à personificação e afirmação absolutista da figura de DSP, foram-se sucedendo no seio do partido e louros foram-lhe cantados, adjectivos pomposos atribuidos nas redes sociais e nos meios de comunicação envadidos e dominados pelo séquito de apoiantes. Todos esses “louvores” encomendados e sustentados à peso de fortes avenças e contrapartidas, parecem no entanto, que não chegavam para alimentar o super ego narcisista do DSP, um lider fortemente clamado, mas sem nenhuma prova palpável demostrada na governação do país, mas cuja figura, era intensamente proclamado e idolatrado pelos seus apaniguados, com adjectivos e epítetos de grandeza, tais como, o “Sol maior”, “Lider dos lideres”, “Salvador da Pátria”, “Matchu, Chefe dos chefes”, o qual, na sua vã imaginação de glórificação, vai patéticamente caucionando, com a desmedida ambição de querer suplantar todos os grandes lideres da história dos Libertadores.
Pior ainda, chegou-se ao cúmulo de a figura e liderança de Amilcar Lopes Cabral, Fundador do partido e Pai da Nacionalidade, ser-lhe ostensivamente comparado de forma presunçosa, notando-se a caução subpterícia e ganânciosa do próprio. Igualmente, contra toda a tradição do partido, passou-se ousada e deliberadamente a colocar-se a efíge ícónica de Cabral, lado à lado com a de DSP num manifesto exercicio de comparação das suas figuras imagens e as epopéicas palavras de ordem de Amilcar Cabral passaram a ser escrutinadas paralelamente com as de DSP, de forma irresponsável e com desmedida ambição comparativa.

Segundo dado negativo : mal instalado na liderança do partido, DSP arrogando disciplina partidária, iniciou com autoridade e intenção deliberada, uma autêntica purga contra todos seus potenciais opositores no seio do partido, visando no essencial, a eliminação de qualquer foco de contestação interna que pudessem perturbar o tipo de liderança que queria impôr no partido, tendo começado cirúrgicamente pelos reconhecidos nostálgicos e apoiantes da antiga liderança. O afastamento voluntário ou compulsivo de muitos militantes que não se-lhes submetiam, foi-se sucedendo no partido, sendo o mais fracturante a ruptura ocorrida com o denominado Grupo dos 15, cujo episódio de confronto com a liderança totalitária e de intolerância de DSP às contestações internas, foi a que mais se fez sentir de forma repercutante nas eleições legislativas passadas. Em contraponto as acções purgativas no seio do partido, DSP foi criando internamente, o seu grupo de conforto e de submissos em todas as instâncias e sensibilidades do partido, com cujos apoios estratégicos, conseguiu ter o controlo e dominio quase absoluto do partido em todos os seus quadrantes. Para conseguir esse desiderato, DSP fez promover no partido um elitismo baseado no servilísmo e submissão à sua figura e as suas pretensões ditatoriais e, para isso, utiliza como critérios de ascensão nos orgãos do partido a confiança pessoal, os laços familiares ou do seu grupo de interesses. Alguma das pessoas que se promoveram aleatóriamente n partido, nunca pertenceram ao partido, não passando de simples admiradores de DSP, que oportunisticamente se colaram ao PAIGC, para dele se servirem. Essas pessoas que entraram no partido pelas mãos e graças do lider, foram sendo inexplicávelmente promovidas em tempo recorde, aos orgãos cimeiros do partido, nomeadamente BP e CC, em detrimento de figuras com percurso de militância reconhecidos no partido. É com esse grupo de novos intrusos “promovidos”, que DSP, constitui o seu fortím de defesa acérrima à idolatração da sua imagem e instrumento de excelência de propaganda, dissuação e minimização de quaisquer veleidades ou sinais de contestação internas à sua liderança.

Terceiro dado negativo : demostrando cada vez mais claramente, ter uma agenda própria, DSP vai-se sobrepondo-se sobranceiramente à estrutura e à nomenclatura interna do partido, demostrando em várias ocasiões o seu desprimor e até certa desconsideração para com os seus pares dirigentes, tomando recorrentemente decisões unilaterais em nome do partido, só os comunicando posteriormente aos demais membros, já como facto consumado.
Como presidente do partido, DSP, açambarca completamente todas as acções, representações e aparições partidárias, deixando os demais orgãos dirigentes no completo ostracismo e inoperância e, quando não o faz, era mais correntemente deixar o protagonismo aos lideres dos micro-partidos seus aliados, principalmente aos lideres da UM e do PUN. Aliás, houve largos periodos que no cenário da intervenção politica, o lider da UM é que era habitualmente, a voz mais marcante dos Libertadores, pertencendo até a este pequeno partido, as maiores iniciativas e posicionamentos com maior visibilidade e impacto sobre as questões mais candentes da politica nacional. Por força desse alinhamento de conveniência politica, esses pequenos partidos, incluindo extensivamente o PND em certa medida, foram ganhando espaços e influências nos circulos do poder às expensas dos Libertadores, ao ponto de se transformarem paulatinamente em porta-vozes e opiniões orientadoras priviligiadas de DSP. Por consequência, raras eram as viagens, negociações ou estratégicas políticas dos Libertadores, que não contassem com a participação ou posicionamentos marcantes dos referidos lideres, que muitas vezes se sobrepunham, assumindo até maior protagonismo que os próprios dirigentes do PAIGC.
Essa estratégia de deliberada minimização ou acantonamento dos demais dirigentes e valores internos do partido, tem tido particular respaldo na constituição dos elencos governativos liderados pelo PAIGC, onde manifestamente, DSP, em vez de dar prioridade ao equilibrio interno e dar vazão as legitimas expectativas dos seus quadros dirigentes em serem chamados a participarem nas actividades governativas do partido, dá clara primazia em satisfazer as pretensões dos seus aliados de circunstância. Para o caso da estranha peristência obsecada na figura de Geraldo Martins no cargo de Ministro da Economia e Finanças, esta realidade, é de novo perfeitamente visível na constituição do actual elenco governativo, onde, em detrimento dos quadros do partido, foram as formações politicas sem qualquer expressão e importância no xadrez politico (porém “fiéis e servis” à DSP), é que foram surpreendentemente beneficiadas com importantes postos ministeriáveis no aparelho do Estado. São os casos, da atribuição do Ministério da Justiça e Direitos Humanos ao Movimento Patriótico, do Comércio e Artesanato ao lider do PND, da Agricultura e Desenvolvimento Rural à SG do PUN, por deferência do seu presidente, das Secretarias de Estado da Comunicação Social e dos Combatentes da Liberdade da Pátria para a UM e, finalmente, a SE do Turismo e Artesanato para o PCD !!!!. Todos esses pelouros e por arrastamento as respectivas Direcções Gerais, foram incompreensívelmente atribuídos aos micro-partidos que gravitam servilmente à volta do DSP, enquanto proeminentes quadros do partido, são deliberadamente esquecidos e postergados para se dar satisfação aos interesses da agenda particular do lider do PAIGC. Essas opções estratégicas de DSP não podem deixar de ser questionáveis, porque ela dá claramente prioridade à construção de uma fachada de aparente inclusão ao agregar muitos micro-elementos externos ao partido à sua volta para, deliberadamente criar-se a ilusão de um lider aglutinador de sensibilidades à volta da sua liderança, enquanto minimiza as valências internas, cujas consequências são imprevisíveis para a coesão interna do partido.
Uma outra decisão controversa assumida por DSP, claramente motivada, caso não o fizesse, pelo receio de perder o poder devido ao resultado catastrófico das legislativas de 2019, e que acarreta questionáveis ganhos politicos para o partido, é a aliança de incidência governativa apressadamente selada com a APU de Nuno Gomes Nabian no rescaldo da supracitada eleição. Os contornos desse casamento quase-instantâneo e sem noivado, prevê-se à partida de efeitos colaterais explosivos com acção retardada, quer para o partido, quer para a áurea do próprio DSP.  

Quarto dado negativo : apesar de aparentemente ser reconhecido a DSP, uma grande capacidade negocial e de convencimento, em vez de priorizar o dialogo interno, quer no partido, quer nas instâncias nacionais, optou recorrentemente por externalizar todos os problemas politicos que surgiram e se desenvolveram, por arrastamento da sua demissão como Chefe de governo. Foram imensos os casos em que, por sugestão e convencimento de DSP, questões politicas e negociais, que podiam ser perfeitamente resolvidas internamente, sem se pôr em causa a nossa soberania e a idoneidade das nossas instituições foram externalizadas, sendo os simbolos e as instituições da República subalternizadas, humilhadas e levadas à reboque de intervenções e decisões desfasadas e descontextualizadas das instâncias regionais, arcando assim o país, com avaliações desprestigiantes e de manifestas desconsiderações para com a nossa soberania e dignidade. Foram as constantes manigâncias politicas de DSP, que arrastaram regularmente os problemas do pais para o exterior, promovendo a regionalização da nossa crise, com a exportação das nossas questões internas para Conakry, Lomé e à espaços até Dakar, de cujas experiências e resultados só trouxeram soluções desprestigiantes e humilhantes para o país nos últimos cinco anos. Foi nesse contexto de profunda deslocalização e descaracterização dos nossos problemas, que DSP, foi trocando de Chefes de Estado-padrinhos, conforme os sabores e desabores dos resultados das mediações. Hoje noentanto, ao que se parece DSP voltou-se para os padrinhos e protectores de sempre, os de Lisboa e aparentemente, nos últimos tempos, igualmente com o embaixador dos EUA    

Quinto dado negativo : logo após ascender ao cargo de Chefe de governo, DSP, deu mostras claras da sua propensão pelo dinheiro e não se coibiu de deixar bem claro nas acções e apetências de que, tinha uma agenda prioritária com o dinheiro e com tudo que lhe possa proporcionar um enriquecimento rápido possível, sem olhar a meios para os alcançar. Aliás, era facilmente perceptível que o conflito exacerbado que opôs DSP ao PR cessante, este igualmente com os mesmos propósitos e propensões financeiras, eram fundamentalmente ligados à luta pelo acesso e acaparamento das fontes de recursos do Estado. Com essa agenda previamente estabelecida, DSP estendeu os seus tentaculares interesses através dos seus homens de mão colocados nos postos mais estratégicos do Governo (Ministério da Economia e Finanças, Obras Publicas e Equipamento Social, Transportes e Comunicações, Recursos Naturais etc...) e também nas Instituições e Empresas públicas de grande facturação. Aos seus homens de mão, eram confiados missões de montagens de mecanismos sofisticados de gestão, que lhes permitissem desviar fundos e dividendos do Estado por sua conta e do seu grupo à partir das fontes e fluxos financeiros das entidades onde eram colocadas. O caso do MEF, Geraldo Martins foi dos mais flagrantes, sendo este o seu “play-maker” de eleição em todas as montagens e desvios de erário público, estando estimado por conta dessa dupla, desvios acima de 42 milhões de euros, distribuidos por dezenas de negócios sujos e de peculato, sendo a mais escandaloso, a grande golpada da montagem do “resgate do BAO”, assunto explosivo, sobre a qual iremos debruçar brevemente.
Na procura incessante de se enriquecer à todo o custo e o mais rapidamente possível, DSP viu-se envolvido, pessoalmente ou por entrepostos familiares (normalmente o filho ou o irmão mais velho, este grande comissionista), em vários negócios incompativeis com o seu estatuto de Chefe de governo. Entre os negócios de manifesto conflito de interesses, pode-se citar, o contrato de  vazamento de lixo com a CMB celebrado com o filho no valor de 75 milhões de FCFA mensais (valores absurdos para uma edilidade com problemas financeiros estruturais, incluindo falta de meios para pagamento regular de salários) e também, a captura do sector de agenciamentos de navios pesqueiros pelo irmão que detinha o monopólio e cobrava comissões avultadas entre outros...
No entanto, do curto periodo de tempo que esteve à frente da chefia do governo, DSP soube juntar um grande pecúlio financeiro e de bens, que se manifestam pelos sinais exteriores de riqueza que ele e a sua familia exibem, nomeadamente bes imóveis (no pais, em Dakar, Conakry e Lisboa), bens de luxo, frota de viaturas de alta gama, incluindo sinais de riqueza e de opulência demostrados pelos filhos, ele DSP que, antes ser chefe de governo se limitava a uma viatura a pedir reforma e uma casa de médio standing no bairro de Luanda. Sinais de mãos-leves sobre o erário público...

Sexto dado negativo : DSP, embora aparente abertura de espirito e de ser um politico de diálogo e de consensos, já demostrou em várias ocasiões e cenários de que, não sabe lidar com as diferenças de opiniões, não tolera a critica e não gosta de ser minimamente contrariado nas suas pretensões, chegando mesmo a mostrar sinais de tendencias e propensão à condutas ditatoriais. Essas posturas e comportamentos, tornaram-se notórios desde o inicio da sua chegada a chefia do governo e com o tempo, tornaram-se evidentes, nas várias batalhas políticas que teve que travar e onde se exigiam poder negocial, pragmatísmo e experiência, mas que foram pontificadas pela sua postura fabricada de “durão”, de político intransigente, irrescível e de teimosia tinhosa, típicamente africana de mostrar “matchundadi”. DSP, perdeu-se pela auto-vanglorização e promoção populista da sua personalidade, cuja alcunha de “matcho” parece embriagá-lo para os mais descabidos caminhos e opções politicas. Está hoje, mais do que provado de que, DSP funciona com uma matrix de pensamento préconcebido, imbuido de complexos de superioridade, em que se julga o mais inteligente e dotado de todos os guineenses, quando na realidade nada fez e nem provas deu, para assim pretender ser ou proclamar-se. A sua negação ao diálogo, mais que uma posição de intransigência, é um comportamento intrínseco de um homem ganancioso, egoista e sectarista, atitudes porém, que levarão à sua perdição e ao seu fim politico a curto prazo.

Sétimo dado negativo : Com a subida de DSP à chefia do Governo, começou-se o grande ciclo da banalização da vida politica e das instituições da República em toda a sua extensão e alcance. Até as instiuições de soberania que outrora foram salvaguardadas (presidênci da República, ANP e Tribunais), foram trazidas à compita da guerra política mundana e de baixo nivel que degrada o nosso país. Ter perdido o poder para DSP, foi uma autêntica declaração de guerra para com os seus concidadãos, visando tornar este país ingovernável, desde que não seja ele a governar e a conduzir a seu bel-prazer os destinos deste país, sendo no entanto que, em tempos, outro lider, mais conceituado e carismático que DSP tinha sido injustamente afastado do poder, mas conformou-se com as circunstâncias, reorganizou-se e ao partido e voltou a reconquistar o poder leal e patrióticamente, sem condicionar, penalizar ou paralizar o país. Com DSP, o país foi levado ao reboque das suas guerras e ambições, tornando o pais uma incerteza durante cinco longos anos...
Desde que foi afastado do poder, DSP embrenhou-se numa cruzada destrutiva de qualquer emergência de uma solução governativa que não passasse por ele e passou a utilizar todos os meios possíveis e imagiáveis ao seu alcance, para fazer-se crer, que sem ele, este país não tem futuro nem sustentabilidade. DSP, em acto de desespero e de puro egoismo, instrumentalizou a sociedade vitimizando-se, financiou movimentos sociais para a desistabilização permanente do país, corrompeu e manipulou os tribunais e os juízes de todas as instâncias, chantageou e coagiu os parlamentares orientando-os para comportamentos anti-democráticos desclassificáveis, instrumentalizou os sindicatos e os jovens de forma interesseira banal, com meros fins do seu projeto pessoal. Enfim...DSP, dividiu a sociedade, as familias, os irmãos...na vã ganância de mandar à todo o custo e por todos os meios possíveis e imagináveis.

E suma, todos esses pontos acima que consubstanciam as atitudes e comportamentos negativos de DSP à frente dos Libertadores, justificam a pergunta seguinte :

Será Domingos Simões Pereira, DSP, um verdadeiro militante do PAIGC, um verdadeiro soldado de Cabral, ou um mero impostor que se serve do partido para os seus fins pessoais e de grupo ??

A cada militante a sua sentença, pois factos para avaliarem e julgar o DSP não faltam.

Bem hajam

Catió, 27 de agosto de 2019
Francisco Na Rimba  
  


   



sábado, 24 de agosto de 2019

O IMPOSTOR II (Continuação do IMPOSTOR I)


Caros leitores,

O artigo que se segue, é continuidade do texto anterior, intitulado “A saga do Impostor”, com sub-título, O Impostor I, ele vem dar sequência narrativa à analise que se faz, da acção e comportamento da personagem narrada, os quais se retratam ao longo dos dois textos complementares.

O IMPOSTOR II

Como ficou exposto no texto precedente (vidé Impostor I), a imposição do Impostor no xadrez político nacional, consumou-se por força das contigencias da situação conjuntural criado pelo cenário politico-militar caôtico provocado pelo violento golpe de estado de abril de 2012, que decapitou e forçou ao exilio a proeminente liderança politica de entao e, cujas ausências facilitaram sobremaneira, o cimentar do projecto político do Impostor, que culminou na sua consagração na cúpula dos Libertadores, onde hoje exerce o poder, de forma despótica e arbitrária.

É comummente aceite que, o golpe de estado de 2012, provocou a interrupção de um ciclo promissor de avanços sectoriais no país, marcado por resultados até hoje inalcansáveis em termos de realizações e de perfomances governativas. Esses avanços, geraram efeitos fortemente impactantes na vida das populações, assim como em outros indicadores de desenvolvimento com respaldo na implementacao de vários projectos estruturantes para o pais, tais como a realização da estrada Buba-Catió,  o Porto de águas profundas de Buba, a Exploração do Bauxite e Fosfato de Boé e Farim respectivamente, o lançamento dos trabalhos de interconexão da rede eléctrica regional... entre outros projectos.

Em contraponto, com o  golpe, o país viu-se completamente mergulhado no caos e entregue à elite militar golpista e a um governo de transição corrupto e submisso que, em pouco tempo de governação, quebrou com todas as permissas encorajadoras de desenvolvimento que o país tinha começado a trilhar e, principalmente, ocasionou o surgimento de um ambiente de desespero nacional, factor extremamente favorável ao aparecimento e à promoção de falsos profetas, como foi o caso, do retratado Impostor.

Foi nestas circunstâncias e condições propícias à tais tipos de emergências, que o Impostor avançou resolutamente para a tomada do poder vacante no pais, tendo contado com o apoio incondicional do seu fortíssimo lobby português por um lado e, por outro lado, ele próprio, denegrindo interna e externamente a idoneidade e reputação da elite politica no exílio, particularmente do antigo Chefe do Governo que na altura, ainda era o Presidente dos Libertadores e candidato presidencial vencedor folgado da primeira volta das eleições, cuja segunda volta foi violentamente interrompida pelo golpe de estado.

Assim, pé ante pé, mostrando ser um mestre da lábia fácil, frieza no pensamento e cinismo na acção manipuladora de promover o seu acomodamento político, o Impostor foi cimentando paulatinamente a sua posição política junto do partido que hoje dirije, ao mesmo tempo que criava, através da intriga e mentiras, barreiras internas e complôts junto da classe castrense contra a cúpula dirigente no exílio.

Numa outra vertente, não descurava por outro lado, em esmagar todo e quaisquer sinais de simpatias para com a liderança proscrita pelo golpe militar e, foi efectivamente com esta estratégia típicamente camoriana, que o Impostor conseguiu impôr-se internamente no seio dos Libertadores, estendendo tentacularmente as suas redes de influências dissuasivas sobre qualquer tipo de oposição interna, forjando-se assim nos Libertadores, a ascendência populista de um dos maiores manipuladores politicos que a história da nossa democracia produziu.

Confortávelmente instalado como Senhor absoluto na liderança dos Libertadores, o Impostor põe imediatamente em prática a sua ambiciosa agenda pessoal e dos seus amigos, passando a servir-se da grandeza e projecção do partido de que se acapelou, para alcançar os seus intentos pessoais e de grupo. Passou a combater de forma percussutória, todo o tipo de manifestações de simpatia ou de sentimentos nostálgicos para com a figura do antigo lider do seu partido, isolou os que persistiam nessa solidariedade ou reaproximação, afastando-os ou postergando-os ao ostracismo e humilhação interna, chegando ao ponto, de nem ir apresentar os sentimentos de condolências à familia de um malogrado historico do partido mas assumido simpatizante e apoiante do ex-lider dos Libertadores.

O Impostor impôs no partido dos Libertadores em curto espaço de tempo, um verdadeiro culto de personalidade e de idolatração à sua figura, criou uma rede de servidores fiéis, quer no seio do partido, quer nas redes sociais, nos blogs do regime (um transformou-se praticamente, no pasquim dos Libertadores), no seio dos comentadores televisivos e radiofónicos, tanto nacionais, como internacionais (destacando-se neste último, um conhecido comentador da RDP-Africa, como o caso mais flagrante de um devoto avençado à causa do Impostor). Enfim, o Impostor criou uma autêntica horda de  "clakeros" submissos e fundamentalistas, autênticos Kamikases à sua causa, não se cansando de clama-lo com epítetos messiânicos, tais como "Salvador da pátria", "melhor primeiro ministro da Guiné-Bissau", louvores que, ao que se sabe, nada fez ou provou para merecer.

Na sua saga de se afirmar na base da mentira e da ilusão, o Impostor comprou consciências dos militantes manipulando-os sádicamente com chantagens, mentiras e jogos de intriga interna e de postos vantajosos. Assenhorou-se oportunisticamente de uma élite interesseira, degradante e prostituída de Antigos Combatentes para supostamente se tentar cobrir da arrogada legitimidade de “herdeiro de Cabral”. Aliciou as Associações e Movimentos da Sociedade Civil para causar o caos e a instabilidade no país desde a sua queda como Chefe de Governo, criou movimentos de agitação popular pró-causa que desestabilizaram completamente o país e sabotaram todas as soluções de governação engendradas e, no summum da sua acção, o Impostor vestindo a pele de vitima,  instrumentalizou e dividiu a nossa sociedade e liderou o projecto da banalização os orgãos e as instituições de soberania desde que dele não fizesse parte, como nunca se viu e tornou o país completamente ingovernável…

E, tal como prometera, deu corpo ao adágio de Luis XIV..."après moi le diluve".

De Cacheu à Bissau, o projecto inicialmente escamoteado de pretender exercer um controlo totalitário e absolutista do poder no seio dos Libertadores que fora traçado pelo Impostor, tornou-se hoje numa realidade assustadora e assim, uma liderança forjada em esquemas de mentiras e manipulações foram posta em marcha e hoje, esta entranhado na mente e comportamentos dos Libertadores como dogmas da sobrevivência nos seus seios. Assim, todos os militantes-dirigentes que se oposeram aos seus ditâmes ditatoriais foram afastados, todos os dirigentes considerados pró-antigo lider, ou se convertiam radicalmente à sua causa submetendo-se à sua vontade, ou eram pura e simplesmente, excluidos, humilhados e afastados de quaisquer orgãos de decisão do partido. Na realidade,  uma autêntica “caça aos infieis” foi posta em marcha dentro do partido hoje liderado pelo Impostor, pelo que, depois da razia feita com a expulsão dos 15, vai-se indo por aí fora com outras purgas internas abafadas na calada da vaga ditatorial  em curso.

Na senda da sua agenda de consolidação absolutista, nada melhor, que recreiar uma Convenção do partido manipulada e controlada pelos seus acólitos, realizada nas vésperas do Congresso do partido dos Libertadores. Essa Convenção, era para servir de charneira à montagem da vergonhosa cosmética de fazer passar junto dos incautos militantes, uma escamoteada “alterações estatutarias do partido” que, sob sua encomenda, visava acima de tudo, centralizar todo o poder e decisões do partido nos desmandos da sua vontade. Todas essas manobras foram feitas, em nome da vontade e pretensões desmedidas do erigido e proclamado “Sol-Maior”..., um Sol maior ao que parece, segundo os seus clakeros, ainda é "maior e mais brilhante do que Amilcar Cabral"..., enfim,... delírios de uma mente incontrolável por força de uma superlativa auto-estima e interminável ambição de querer dirigir o pais num absolutismo puro e fazer imperar a sua vontade tirânica de intolerância para com todos os que não se submetam aos seus ditâmes.

Em contraponto aos excomungados, os amigos do Impostor, principalmente os seus parceiros da agenda do assalto ao poder no partido, os seus correlegionários do PCD, os russians's-boys, os resgatistas de colarinho branco, as comadres e concubinas, as amigas e damas de companhia da "primeira dama dos Libertadores", as cabelereiras e chalaceiras de comes e bebes, os engraxadores, os promotores de imagem, os clakeros de redes sociais, os radistas e comentadores avençados, os "bocas de aluguer", os “parceiros "especiais" trazidos à reboque dos micro-partidos”..., são os que, são ostensivamente promovidos nos orgãos directivos do partido, no Governo e nas instâncias do Estado com lugares e beneses lordics, como contrapartida da subservência e conivências prestadas.

Acedendo ao poder, devido a vitoria natural e sem surpresas dos Libertadores na primeira eleição legislativas em que concorreu como lider desse partido, o Impostor quiçá embriagado pela supra-valorização e uma avaliação desmesurada com que “vendeu” e propalou “os resultados extraordinários” da Mesa Redonda que se seguiram à sua eleição para a chefia do Governo, deu inicio a uma agenda de governação com uma postura marcado pela arrogância, pelo desrespeito, por provocações e confrontações com a presidência da República, cujo cúmulo do distrate público, foi a utilização dos canais da ANP, orgão onde o seu partido detinha a maioria parlamentar, para dirigir uma sessão de insultos e impropérios públicos com direito a emissão em directo na rádio estatal, contra a figura da Mais Alta Magistratura da Nação. Com este facto inusitado, insensato e incompreensivelmente provocatório, deu-se inapelavelmente, o inicio do ciclo da institucionalização  da sua campanha de permanente conflituatlidade e confronto com o PR. 

Essa propensão assumida de conflitualidade, de posições de desafio reiterado nas suas relações com qualquer poder ou orgãos da da República que se lhe sobrepõe, não demostrando quaisquer esforços em proporcionar uma cohabitação comprometida e respeitaora com as mesmas, eram apoiados e sustentados por uma forte e agressiva campanha levadas à cabo pelas estruturas de agitação e propaganda criadas pelo Impostor, estrategia que conferem às suas actuações, um calculo de risco assumido, visando outros fins pessoais bem estruturados na sua mente e no seu grupo de assalto ao poder. Essas estruturas de permanente guerrilha politica, muito bem cartilhada, constituem autênticas hordas de agitadores políticos, confessos apoiantes do Impostor, onde se encapotam, falsos Movimentos-sociais, redistas sociais, fazedores de opinião em rádios e televisões, comentadores “politicos” e “bocas de aluguer”, todos eles avençados enquanto instrumentos de pura campanha propagandistas do Impostor, com os quais sustentou toda a sua agenda de permanente confronto, postura beligerante e de conflitos que marcaram de forma negativa e desrespeitosa as suas relações com o Mais Alto Magistrado da Nação ao longo da sua curta estada à frente da IX Legislatura.

Na realidade, o Impostor marcou a sua curtissíma passagem à frente do Governo, por actos de desrespeito e arrogância, para com os seus concidadãos, os seus adversários politicos, os seus parceiros institucionais, em particular ao mais Alto Magistrado da Nação, contra quem, se aprestou a uma luta sem quartel, ao ponto de caucionar e subvencionar actos e manifestações ultrajantes à sua pessoa do PR de forma ostensiva e pública. Estes cenários irreponsávelmente  orquestrados, fizeram despoletar uma  guerra absurda e desnecessária, da qual, o Impostor viria a sair claramente perdedor, apesar de se apregoar o contrário no seio dos seus apaniguados, pois foi uma guerra sem sentido, um conflito forjado e alimentado pelo Impostor por mera ganância e narcisismo, cujas consequências, queira-se ou não,  pesaram nos seus falhanços de exercer o poder que as urnas lhe conferiram em duas ocasiões e continuarão decerto a pesar sobremaneira no seu percurso politico futuro.

Hoje, apesar do potente arsenal de propaganda e marketing político de que dispõe e faz recorrentemente uso para agitar o pais a seu bel prazer, a realidade inegávelmente constactada, é no entanto, que  o Impostor  está politicamente em queda livre, quer em termos de resultados, quer em termos de sustentabilidade do seu poder na arena política nacional e no seio do seu partido. Para confirmar tal realidade, basta analizar os seus resultados nas legislativas à frente dos Libertadores, onde, enquanto herdeiro de um score de 67 deputados  sobre 100 assentos parlamentares,  o Impostor  foi-se regredindo sucessivamente, pelos números de 57 em 2014 e, nas últimas legislativas para  47 lugares sobre um universo de base de 102 assentos parlamentares. Esses números, deveras preocupante para qualquer politico normal, não o é entretanto ao que parece, para o Impostor e o seu séquito de "clakeros", que persistem na negação da manipulação politica e da desinformação para tentar fazer crer o contrario.

Aliás, o Impostor na obsessão natural de se iluminar do poder, tão rapidamente se esquece das suas promessas dando o dito por não dito num àpice de perda de memoria propositada, ao ponto que, até as pessoas mais atentas não se apercebam das suas repetidas incongruências e falsas promessas. Os casos mais flagrantes, foram o da sua propalada ameaça de se DEMITIR, caso não conseguisse atingir a MAIORIA ABSOLUTA e o da sua não pretensão de não se candidatar à presidência da Republica. Nos dois casos, contrariamente ao prometido aos seus militantes e as populações reiteradas vezes seguiu por caminhos contrarios. No primeiro caso, longe da maioria tão almejada e, com medo de perder o poder com o qual tanto se alimenta e forja a sua falsa personalidade, acabou a correr precipitada e prostitutamente para os braços da APU, quarto partido mais votado nas eleições de 2019, no outro caso, assumiu cinicamente o dito por não dito, candidatou-se e deixou o seu fiel defensor a choramingar e com direito à babas e ranhos de um traido sentimental.

Outro factor a ter em conta, é a omnipresença do Impostor no seio do Poder. Ela se espelha na sua plenitude e perfeição na actuação  do presente elenco governativo, onde, apesar descartado do cargo de Chefe de Governo pelo PR, ele tem dado mostras do seu forte vampírismo pelo poder,  onde a sua influência tentacular é bem notória, quer nas nomeações (colocando os seus homens de mão nos cargos e postos geradores de receitas...veja-se o caso frequente e vergonhoso da nomeação do seu irmão, ex-Ministro, para o posto de DG do INPS...para sacar, sacar, sacar ), quer também, na pilotagem dos projectos de maior enfoque financeiro, onde o interesse de tirar dividendos financeiros para o seu clã de seguidores e familia, é mais do que evidente.

Este episódio recente é mais um capitulo  da saga incessante do Impostor de querer se afirmar como o  senhor absoluto do poder na Guiné-Bissau ao concorrer e vencer as primárias do seu partido como candidato dos Libertadores para as eleições presidenciais de novembro próximo. Um escrutíneo que não teve nada de extraordinario, pois preparado à medida das pretensões do Impostor,  onde as regras e o controlo interno de que dispõe,  quer dos orgãos quer dos militantes votantes do CC, previam-lhe  de antemão, uma vitória fácil e confortável, sem deixar de se tomar em conta que a mesma deve-se e muito à fraqueza e impreparação desses opositores internos, sabendo-se que, nem um, nem outro, possuem perfil ou idoneidade de estadistas, para pretensamente quererem dirigir este um pais.

Contudo, não pense o Impostor que vencer as primárias do seu partido, é um sinal que o legitimará para uma vitória presidencial, isto porque, por lado o seu partido deixou de ser maioritário há muito neste país, para além de que, o facto de se ter apresentado as primárias à revelia do que prometera inicialmente aos seus camaradas pretendentes ao cargo e aos militantes do seu partido, deixará mossas e criará fracturas inevitáveis no seio dos Libertadores, cujas consequências não serão de imediato perceptíveis neste cenário pós-primárias, mas com o tempo e o aproximar das eleições serão naturalmente perceptiveis e inevitavelmente fracturantes. 

Aliado a este dado interno, colar-se-ão de forma inevitavel, os colaterais dos vários compromissos com outros potenciais pretendentes à cadeira presidencial com os quais,  o Impostor, alegadamente assumiu potestativos compromissos  de apoio que, à partida quebrou ou que nunca teve intenção de cumprir (fala-se de compromissos com Nuno Gomes Nabian, Paulo Gomes e até Marucas),  porquanto a ambição do Impostor e a manifesta pressa de controlar e assumir o poder de forma ditatorial e absolutista, premissa do seu credo, era incomptivel com  honrar desses comromissos.

Enfim, cá estaremos para seguir de perto a saga sofregada do Impostor na sua luta titânica pelo poder, onde se quer absoluto, mas que o destino porém, persiste teimosamente em negar-lhe já por duas vezes e..., possivelmente uma terceira, a qual de certeza será de certeza o fim da sua ganância politica.

Os tempos prôximos nos edificarão sobre a sorte que o destino reservará para o Impostor...quer quanto quanto ao seu futuro no seu partido, quer na política nacional em geral.

Os resultados eleitorais que se desejam, livres, justas e transparentes dirão da sua justiça.

Bolama, 23 de agosto de 2019

NTchanga di Coburnel  


quarta-feira, 21 de agosto de 2019

"A SAGA DO IMPOSTOR"


"A SAGA DO IMPOSTOR"

INTRÓITO

Quero chamar à atenção dos leitores de que, este artigo divide-se em duas partes : 
O Impostor I e Impostor II

Ele retrata, do ponto de vista do seu autor,  a personalidade de um indivíduo que tem marcado, o cenário cimeiro da politica guineense nos ultimos tempos, captando das suas actuações, simpatias e ódios, tendo porém sempre num ou noutro sentido, os denominadores dominantes : a manipulação, um egocentrismo-obsolutista  e a conflitualidade permanente.

O IMPOSTOR I

Produto acabado do vazio politico pós-12 de abril, o Impostor soube surgir devidamente preparado e no momento certo, que as circunstâncias proporcionavam para tomar de assalto a liderança dos "Libertadores". Exímio orador, dotado de um discurso fácil, arrebatante e de lábia fina, o Impostor dotou-se de "atributos" mais que suficientes para vender uma boa imagem, num país política e conjunturalmente decapitado das suas lideranças e entregue às naturais balburias pós-golpe de estado.

Para o Impostor, com o tirocínio feito em vender a imagem de um "sobredotado", um "génio político", um "salvador da pátria" e até ao cúmulo do narcisismo ao exacerbar-se, querendo fazer-se erigir  no "novo Amilcar Cabral", o "Sol-maior" dos  guineenses, para não falar de, entre outros epítetos de puro charlatanismo político, era meio caminho andado, para impôr o seu plano político que hoje se transformou no nosso maior tormento político nacional.

Para o mal dos nossos pecados, foi nesse cenário caótico, de completo desacerto nacional e orfandade politica, que o impostor escolheu o timming certo para se emergir e ocupar o vazio de liderança politica que então se verificava, seduzindo e ludibriando tudo e todos, com a sua bem treinada fineza de falsa simpatia, bem acomodado num cinísmo inperturbável.

Contudo, decorridos pouco tempo, muito mais cedo do que se esperava, a prática acabou a mostrar aos guineenses que, na realidade, o Impostor não passava de um mero vendedor de ilusões, um autêntico fíasco político, um "fala barato" estruturalmente imaturo, sectarista, com complexos latentes de uma interiorizada "superioridade", mas acima de tudo, um narcisista, um mentiroso compulsivo e um intriguista que, não aceita partilhar ou cohabitar no poder com ninguém, ficando provado no curto espaço de tempo que esteve no poder, que ele, é o maior promotor e reciclador de conflitos no país.

Tais evidências, ganham ainda maior evidência, se se atender ao facto que, o Impostor não consegue cohabitar com pessoas competentes e do meio intelectual, preferindo fazer-se rodear, de bajuladores e servidores de conveniência que o aplaudem e lhe atribuem os louros mais descabidos possíveis e imagináveis. Aliás, basta ver a entourage do nosso "illuminati", repleto de  clakeros e de "antigos combatentes" desnaturados (os Manequinhas e outros...), que ornamentam o seu séquito de bajuladores para se compreender, o alcance desta manifestação de desconsideração para com o Impostor.

Quem o conhece no entanto, sabia de antemão que, outra coisa não seria de esperar do Impostor, pois a sua realidade vivêncial e preparação governativa careciam de argumentos que lhe dotassem de um arcaboiço político consistente e estruturado que lhe conferisse a sustentabilidade política, para ser um lider de referência nacional, um forte aglutinador de vontades e construtor de empatias para conseguir impôr-se com respeito e naturalidade no cenário politico nacional.

Ao que se sabe da sua experiência politica e governativa, contrariamente ao "riquíssimo histórial de lider inígualável" amplamente vendida pelos seus acólitos avençados e "bocas de aluguer", é que, o Impostor fora Director-Geral de um Ministério, onde de Obras, NADA deixou. Posteriormente, integrou um elenco governativo como Ministro mercê do lobby de um amigo (que hoje descartou) que o promoveu junto ao então Chefe de Governo (que hoje odeia), para o convidar a participar no primeiro governo de que fez parte. Igualmente, é sobejamente do conhecimento dos guineenses, de que o Impostor, nunca foi do partido que então  governava e que,  foi  por exigência da Direcção do partido então no poder, que o Impostor "foi obrigado" a filiar-se nessa formação politica..., essa mesma, que  por ironia do destino dirige hoje de forma despótica e seletiva. Mais tarde, com a queda do  governo  que então integrava  e, graças  aos  lobbys dos seus padrinhos de Lisboa e da confiança que nele depositava o PM cessante, foi indicado para o cargo de Secretário Executivo da CPLP. Em todos esses postos ocupados, NADA de concreto ou palpável o Impostor pode alegar como referência ou herança de uma grande gestão ou liderança.

Contudo, dessa sequência de NADAS, aproveitando-se do enorme vazio deixado pelo desclabro do golpe de 2012, o Impostor, com mestria e sagacidade de um bom oportunista, conseguiu emergir-se num àpice na liderança da esfera politica nacional e, arrebatar de mão beijada a liderança do maior partido politico do pais, no qual, em pouco tempo, passou a impôr um verdadeiro culto de personalidade à volta da sua despótica figura, pois hoje em dia, só com a subservência e a obediência aos seus ditâmes e vontade, se ganham bençãos da sua simpatia e favores, quer no partido, quer nas esferas do governo e instituições públicas.

Pergunta-se !,

Como foi possivel ao impostor galgar tantos degraus em curto espaço de tempo, para surgir no xadrez politico guineense como o factor X, tornando-se omnipresente em todas as equações e convulsões politicas do país ?

Como imaginar, uma personagem, que em tempos recuados era uma figura quasi-insignificante no cenário politico guineense possa, repentinamente transformar-se numa figura de tamanha conflitualidade, de tanta perversão de valores. Uma personagem, que se transformou num gerador ciclico de intrígas, propenso à ambientes e relacionamentos crispantes e criador de incompatibilidades titânicas, com todos os seus opositores políticos..., chegando a roçar ao ódio. ??

Como pôde, um político jovem que aparentava ter sensatez e tacto para o bem comum, uma figura de aparente simplicidade e de trato afável, sofrer uma metamorfopsia de caráter tão profundo e passar a ser um homem de permanente conflitualidade com todos que não se curvam aos desmandos, tornado-se num engocêntrico exacerbado, um narcisista primário, um élitista complexado e sectário que pauta o seu comportamento em grupo por um egoismo quase absolutista e à volta de quem, giram todos os problemas e conflitos que o país hoje enfrenta

Temos que admitir, que o Impostor é um político dotado de um caráter peculiar que o nosso xadrez político nunca tinha experimentado até então, pois trata-se, de um político que rege as suas atuações pela mentira e falsidade, sustentada por comportamentos ditatoriais, absolutistas e de ilusões messiânicas, quando, na realidade não passa de um perigoso manipulador que promete e não cumpre, que divide para melhor reinar, que diz  uma coisa e faz outra, um falsário, um puro delinquente de colarinho branco que brevemente nós daremos a conhecer aos nossos seguidores.

Analisando a nossa história democrática recente, nem Nino Vieira, um lider híbrido militar-político, com comportamentos quase marciais, nem o carismático e campeão politico nacional,  Carlos Gomes Júnior, os mais insignes lideres dos Libertadores, depois de Amilcar Cabral, conseguiram extremar tanto a nossa sociedade e criar tão enorme divisão aquando das respectivas  lideranças desse polémico partido.

Hoje, o Impostor conseguiu, em pouco espaço de tempo, suplantar todos os recordes negativos dos seus antecessores e colocar hoje, o partido que dirige à beira do colapso.

PS : segue dentro de dias, a sequência deste artigo, "O Impostor II"

Bolama, 21 de agosto 2019
Ntchanga di Coburnel